Machismo e misoginia nem sempre aparecem em episódios extremos de violência. Muitas vezes, estão presentes em atitudes consideradas comuns, como interromper uma mulher durante uma reunião, questionar sua competência profissional ou transformar comentários ofensivos em “brincadeira”. A reflexão marcou a palestra “Por que não falar: um ato de coragem”, ministrada pelo enfermeiro e especialista em saúde mental Danilo Silva, para servidores da Prefeitura de Cotia. A palestra discutiu como mudanças de comportamento podem contribuir para ambientes mais respeitosos e igualitários.
O encontro abordou conceitos como machismo, misoginia, desigualdade de gênero e violência estrutural, propondo uma reflexão sobre práticas cotidianas que muitas vezes passam despercebidas, mas ajudam a perpetuar a discriminação contra as mulheres.
Na abertura do evento, o chefe de Gabinete do Prefeito Welington Formiga que representou o chefe do executivo, Edgar de Souza, ressaltou que o enfrentamento da violência exige compromisso coletivo.
“O pacto pelo fim da violência tem que envolver todos nós.”
Segundo ele, cuidar da cidade vai muito além da execução de obras e serviços públicos.
“Como é que eu posso falar que estou mudando a educação ou a saúde se não dou bom dia para quem passa ao meu lado? Se sou desrespeitoso com quem trabalha comigo? O cuidado com as pessoas também faz parte da missão de quem administra uma cidade.”
Machismo vai além das agressões
Durante a palestra, Danilo Silva explicou que o machismo não se resume aos casos extremos de violência.
Segundo ele, trata-se de uma visão de mundo construída historicamente que coloca o homem em posição de superioridade em relação à mulher. Já a misoginia, explicou, representa o desprezo, a aversão ou a desvalorização das mulheres, manifestando-se por meio de atitudes, falas, discriminação e até violência.
Para o palestrante, muitas dessas práticas permanecem presentes porque foram naturalizadas ao longo das gerações.
“Não é só o falar. São as ações que estão por trás das falas.”
Danilo ressaltou que comportamentos considerados “brincadeiras” ou comentários aparentemente inofensivos também merecem atenção.
Segundo ele, palavras refletem pensamentos e podem contribuir para a manutenção de uma cultura de desrespeito.
Pequenas atitudes também produzem desigualdades
Um dos pontos centrais da palestra foi mostrar que o machismo nem sempre aparece de forma explícita.
Interrupções constantes quando mulheres falam em reuniões, questionamentos sobre sua competência profissional, piadas ofensivas e comentários depreciativos foram apresentados como exemplos de situações que reforçam desigualdades dentro dos ambientes de trabalho.
“Nem sempre o machismo aparece de forma explícita. Muitas vezes ele está em pequenas atitudes, frases ou comportamentos que se tornam tão comuns que quase não nos damos conta disso.”
Para ilustrar essas situações, o palestrante utilizou exemplos do cotidiano corporativo e citou o filme Estrelas Além do Tempo, destacando como atitudes individuais podem transformar ambientes marcados pela exclusão.
Respeito se constrói todos os dias
Ao falar sobre o ambiente corporativo, Danilo afirmou que políticas institucionais são importantes, mas não suficientes. Segundo ele, ambientes saudáveis dependem da prática diária do respeito.
Entre as atitudes destacadas estão:
“Respeito não é apenas um valor institucional. É uma prática diária.”
Em outro momento, reforçou que nenhuma política pública alcança resultados se não houver mudança individual. “Construir um ambiente mais justo não depende apenas de políticas institucionais. Depende também das escolhas que cada um de nós fazemos todos os dias.”
Uma cultura que precisa ser revista









