A Prefeitura de Cotia, por meio das Secretarias de Trabalho e Renda, Indústria, Comércio e Empreendedorismo e Mulheres, Direitos Humanos e Neurodiversidade, promoveu no último dia 1º o Fórum de Empregabilidade Inclusiva. A iniciativa marca o início de um debate mais estruturado sobre o acesso de pessoas com deficiência (PCDs) e seus cuidadores ao mercado de trabalho, com foco em soluções práticas e na implementação de políticas públicas efetivas.
O encontro reuniu secretários e especialistas que compartilharam experiências, entre eles profissionais da residência inclusiva do Pequeno Cotolengo e do Fundo Social de Jundiaí. A Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência foi representada por Vilma Roberto, enquanto a Secretaria de Desenvolvimento Econômico contou com a participação de Thayane Letícia, diretora de qualificação da pasta.
Ao abrir as falas, a secretária da Mulher, Direitos Humanos e Neurodiversidade, Solange Aroeira, reconheceu as barreiras estruturais que ainda dificultam o acesso ao trabalho para pessoas com deficiência.
Segundo ela, o cenário atual ainda é desafiador. “Pessoas com deficiência, pessoas neurodivergentes, mulheres em situação de vulnerabilidade — especialmente aquelas que enfrentam violência — e mães atípicas ainda encontram portas fechadas. E não por falta de capacidade, mas por barreiras sociais, culturais e institucionais que persistem”, afirmou.
Para a secretária, a empregabilidade inclusiva não pode ser tratada como uma ação isolada. “Ela precisa ser resultado da integração efetiva entre políticas públicas. Quando essas políticas começam a dialogar, nós transformamos trajetórias. Mas há um ponto central que precisa ser enfrentado com profundidade: o capacitismo.”
A avaliação foi reforçada por Caio Daniel, assessor de políticas para pessoas com deficiência da Prefeitura de Jundiaí. “O primeiro passo para derrubar o capacitismo é falar sobre ele”, disse.
Representando o Governo do Estado, Vilma Roberto destacou que a inclusão no mercado de trabalho é um direito. “Empregar uma pessoa com deficiência não é um favor, é um direito”, afirmou. Ela também ressaltou a importância da articulação com o setor produtivo. “É fundamental chegar às empresas, sensibilizar empregadores e promover uma mudança de olhar — sair do foco na limitação e reconhecer habilidades, sonhos e protagonismo.”
Cuidar e Incluir
Durante o fórum, o secretário de Trabalho e Renda, Michel Alves, apresentou o programa Cuidar & Incluir Cotia, uma iniciativa intersetorial voltada à empregabilidade, autonomia econômica e geração de renda.
Segundo ele, o projeto nasceu a partir da escuta de mães atípicas, que relataram dificuldades para acessar o mercado de trabalho devido à sobrecarga de cuidados com filhos neurodivergentes.
A proposta foi construída em conjunto com as secretarias de Indústria, Comércio e Empreendedorismo e de Mulher, Direitos Humanos e Neurodiversidade, com o objetivo de enfrentar um problema complexo que, historicamente, costuma ser tratado de forma fragmentada.
O programa tem como público prioritário mulheres vítimas de violência doméstica, pessoas com deficiência e cuidadores — especialmente mães de pessoas com deficiência ou doenças crônicas.
A iniciativa parte de um diagnóstico direto: não basta oferecer vagas. A exclusão do mercado de trabalho envolve uma rede de barreiras emocionais, sociais, econômicas e estruturais que impedem tanto o acesso quanto a permanência em uma atividade produtiva.
No caso das mulheres em situação de violência, o trabalho representa uma possibilidade concreta de romper o ciclo de dependência do agressor. Para pessoas com deficiência, o desafio envolve não apenas a contratação, mas a inclusão real, com acessibilidade e oportunidades de desenvolvimento. Já entre os cuidadores, a principal barreira é a sobrecarga, que frequentemente inviabiliza a inserção profissional.





